Informação sobre hepatite, causas, sintomas e tratamento da hepatite A, hepatite B, hepatite C, hepatite D e hepatite E, hepatite aguda e crônica.


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Hepatite B

A hepatite B é uma doença infecciosa viral, contagiosa, causada pelo vírus da hepatite B (HBV), conhecida anteriormente como soro-homóloga. O agente etiológico é um vírus DNA, hepatovírus da família Hepadnaviridae, podendo apresentar-se como infecção assintomática ou sintomática. Em pessoas adultas infetadas com o HBV, 90 a 95%  curam-se; 5 a 10% permanecem com o vírus por mais de seis meses, evoluindo para a forma crônica da doença.
Os pacientes com a forma crônica podem apresentar uma condição de replicação do vírus (HBe Ag reagente), o que confere maior propensão de evolução da doença para formas avançadas, como a cirrose, ou podem permanecer sem replicação do vírus (HBeAg não reagente e anti-HBe reagente), o que confere taxas menores de progressão da doença.
Percentual inferior a 1% apresenta quadro agudo grave (fulminante). A infecção em neonatos apresenta uma taxa de cronificação muito superior àquela que encontramos na infecção do adulto, com cerca de 90% dos neonatos, evoluindo para a forma crônica e podendo, no futuro, apresentar cirrose e/ou carcinoma hepatocelular.
O período de incubação, intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro suscetível ao vírus e o início dos sinais e sintomas da doença varia de 30 a 180 dias (média de 70 dias).

A vacina contra a hepatite B está disponível desde 1982. A vacina é 95% eficaz na prevenção da infecção e do desenvolvimento de câncer e doença hepática crônica devido a hepatite B.


Distribuição geográfica da hepatite B

A prevalência de hepatite B é mais elevada na África Subsaariana e na Ásia Oriental, onde entre 5 a10% da população adulta está cronicamente infetada. As altas taxas de infecções crônicas também são encontrados na Amazônia e nas regiões do sul da Europa Central e Oriental. No Oriente Médio e no subcontinente indiano, uma estimativa de 2 a 5% da população geral é cronicamente infetada. Menos do que 1% da população na Europa Ocidental e na América do Norte é cronicamente infetada.

A hepatite B é uma infecção viral que ataca o fígado e pode causar tanto a doença aguda como crónica.
O vírus é transmitido através de contato com o sangue ou outros fluidos corporais de uma pessoa infetada.
Estima-se que 240 milhões de pessoas são cronicamente infectados com hepatite B (definidos como antigénio de superfície da hepatite B positivas para, pelo menos, 6 meses).
Mais de 780 000 pessoas morrem todos os anos devido a complicações da hepatite B, incluindo cirrose e câncer de fígado.
A hepatite B é um risco ocupacional importante para os trabalhadores de saúde.

No entanto, ela pode ser prevenida pela vacina segura e eficaz atualmente disponível.

Hepatite A, o que é, e quais as causas

A hepatite A é uma Doença infecciosa viral, contagiosa, causada pelo vírus A (HAV) e também conhecida como “hepatite infecciosa”, “hepatite epidêmica”, ou “hepatite de período de incubação curto”. O agente etiológico é um pequeno vírus RNA, membro da família Picornaviridae.
O período de incubação, intervalo entre a exposição efetiva do indivíduo suscetível ao vírus e o início dos sinais e sintomas clínicos da infecção, varia de 15 a 50 dias (média de 30 dias).
A hepatite pelo HAV apresenta distribuição mundial. A principal via de contágio é a fecal-oral, por contato inter-humano ou por água e alimentos contaminados. A disseminação está relacionada às condições de saneamento básico, nível socioeconômico da população, grau de educação sanitária e condições de higiene da população. Em regiões menos desenvolvidas, as pessoas são expostas ao HAV em idades precoces, apresentando formas subclínicas ou anictéricas em crianças em idade pré-escolar. A transmissão poderá ocorrer 15 dias antes dos sintomas até sete dias após o início da icterícia.
A transmissão sexual da hepatite A pode ocorrer com a prática sexual oral-anal (anilingus), por meio do contato da mucosa da boca de uma pessoa com o ânus de outra portadora da infecção aguda da hepatite A. A prática dígito-anal-oral pode ser uma via de transmissão. Deve ser lembrado que um dos parceiros precisa estar infectado naquele momento e que a infecção pelo HAV não se cronifica, o que faz com que este modo de transmissão não tenha grande importância na circulação do vírus na comunidade, embora, em termos individuais, traga as conseqüências que justificam informar essas possibilidades aos usuários.


Como o vírus da hepatite A se transmite?

O vírus da hepatite A é transmitido de pessoa para pessoa ao colocar algo na boca que foi contaminada com as fezes de uma pessoa infectada com o vírus da hepatite A. Este tipo de propagação é chamado de "fecal-oral." Isso pode acontecer através de uma variedade de maneiras, tais como quando uma pessoa infectada que prepara ou manipula alimentos não lava as suas mãos adequadamente após ir ao banheiro e, em seguida, toca na comida de outras pessoas. Uma pessoa também pode ser infectada através de água contaminada com vírus da hepatite A ou ao beber bebidas refrigeradas contaminadas com o vírus. Alimentos contaminados, água e gelo podem ser uma fonte significativa de infecção para as pessoas que viajam para muitas áreas do mundo. Por esta razão, o vírus é mais facilmente transmitido em áreas onde existem condições sanitárias precárias ou em que uma boa higiene pessoal não é observada.

A maioria das infecções virais de hepatite em pessoas dos Estados Unidos resultam de viagens internacionais realizadas a locais com taxas intermédias ou elevadas de hepatite A. A infecção do vírus pode dar-se através do contato com um membro da família ou parceiro sexual que tem hepatite A, ou através da partilha de drogas ilegais. Contato casual, como no ambiente de escritório, fábrica, ou na escola, não espalha o vírus da hepatite A.


O que é a hepatite B

A hepatite B é um vírus transmitido através do sangue. Ele entra no corpo através da exposição direta de sangue e através do contato sexual. Em menos de 5% dos adultos infetados com HBV torna-se crônica e mantêm a infeção pelo HBV por mais de seis meses. Para crianças que sejam infectadas com o HBV no nascimento, ou crianças jovens, o risco de se tornarem cronicamente infetadas pode ser tão alto quanto 90%, a menos que haja intervenção no nascimento com a vacina HBV infantil e IGHB. Em todo o mundo cerca de 2 bilhões de pessoas foram infetadas e entre 400 e 800 milhões estão cronicamente infetadas com Hepatite B, sendo que quase 25% destas pessoas também têm hepatite C crônica, e como consequência podem desenvolver lesão hepática grave. Complicações decorrentes da hepatite B são a 10 ª maior causa de morte no mundo. Hepatite B é responsável por até 70% de todos os casos de câncer de fígado em todo o mundo. Em 2009, nos Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estimou-se que 38.000 americanos foram infetados com o HBV. Também se estima que entre 2 e 3 milhões de americanos têm hepatite B crônica, dos quais 65% não sabem que a têm. Asiáticos e imigrantes de outras áreas do mundo onde a hepatite B é endêmica têm taxas mais altas de infeção; mas são infetados no nascimento ou enquanto crianças. Por exemplo, 1 em cada 8 americanos vietnamitas; 1 em cada 10 americanos chineses e 1 em cada 12 coreanos americanos deverão estar infetados com hepatite B crónica.
A Agência de Saúde Pública do Canadá estima que entre 0,7 e 0,9 por cento da população do Canadá é cronicamente infetada pelo HBV. Cerca de cinco por cento de pessoas no Canadá tiveram hepatite B em algum momento de suas vidas. Em 2008, a taxa relatada global da infeção por hepatite B aguda no Canadá foi de 0,74 (indivíduos infetados) por 100.000 pessoas que vivem no Canadá. A maior parte das pessoas infetadas com o HBV não apresentam sintomas e levam uma vida normal. No entanto, em cerca de 25% dos casos de Hepatite B podem surgir sérios danos no fígado, incluindo a fibrose e cirrose, geralmente ao longo de vários anos ou décadas. Em casos graves, a hepatite B pode levar à insuficiência hepática, câncer de fígado e morte. Existe disponível uma vacina eficaz para prevenir a HBV. Também existem vários tratamentos que podem ajudar a controlar a infeção crônica por HBV e retardar ou parar a progressão da hepatite B.

Hepatite E

A hepatite E, é uma Doença infecciosa viral, contagiosa, causada pelo vírus E (HEV) do tipo RNA, classificado como pertencente à família Caliciviridae.
O período de incubação, intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro suscetível ao vírus e o início dos sinais e sintomas clínicos da doença neste hospedeiro, varia de 15 a 60 dias (média de 40 dias).
A hepatite pelo HEV ocorre tanto sob a forma epidêmica, como de forma esporádica, em áreas endêmicas de países em desenvolvimento.
A via de transmissão fecal-oral favorece a disseminação da infecção nos países em desenvolvimento, onde a contaminação dos reservatórios de água mantém a cadeia de transmissão da doença. A transmissão interpessoal não é comum. Em alguns casos os fatores de risco não são identificados.
Como na hepatite A, a melhor estratégia de prevenção da hepatite E inclui a melhoria das condições de saneamento básico e medidas educacionais de higiene.
A maioria dos casos evolui para a cura, sendo necessária a hospitalização dos casos mais graves, os quais são mais freqüentes entre gestantes. Quadro clínico assintomático é comum especialmente em crianças. Assim como na hepatite A, admite-se que não existem formas crônicas de hepatite E.

Hepatite D, aguda e crônica

Da mesma forma que as outras hepatites, a hepatite D pode cursar de maneira assintomática, oligossintomática e sintomática, dependendo em parte do momento de aquisição do vírus delta, se conjuntamente (co-infecção) com o HBV ou em já portadores crônicos deste vírus (superinfecção).
  • Co-infecção do vírus D com o vírus B em indivíduos normais: ocorre quando o indivíduo adquire simultaneamente os vírus B e D. Na maioria dos casos se manifesta como uma forma de hepatite aguda benigna, com as mesmas características de uma hepatite aguda B clássica. O prognóstico, geralmente, é benigno, ocorrendo completa recuperação e clarificação do HBV e HDV. A evolução para a cronicidade é rara.
  • Superinfecção pelo vírus D em portadores (sintomáticos ou assintomáticos) do vírus B: ocorre quando o indivíduo previamente infectado pelo vírus B, que evoluiu para a cronicidade, é contaminado pelo vírus D. O prognóstico é mais grave, podendo haver dano hepático severo, ocasionando formas fulminantes de hepatite ou evolução rápida e progressiva para a cirrose.
A infecção crônica delta é semelhante às de outras hepatites crônicas.
A cirrose é mais freqüente neste tipo de hepatite do que nos portadores de hepatite B isolada.

Hepatite Delta

A hepatite delta é uma Doença infecciosa viral, contagiosa, causada pelo vírus da hepatite delta ou HDV (é um vírus RNA, que precisa do vírus B para que ocorra a infecção), podendo apresentar-se como uma infecção assintomática ou sintomática e, nesses casos, até mesmo com formas graves de hepatite.
O período de incubação, intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro suscetível a um agente biológico e o início dos sinais e sintomas clínicos da doença nesse hospedeiro, varia de 30 a 50 dias (média de 35 dias).

Hepatite C

A hepatite C é uma Doença infecciosa viral, contagiosa, causada pelo vírus da hepatite C (HCV), conhecido anteriormente por “hepatite Não A Não B”, quando era responsável por 90% dos casos de hepatite transmitida por transfusão de sangue sem agente etiológico reconhecido. O agente etiológico é um vírus RNA, da família Flaviviridae, podendo apresentar-se como uma infecção assintomática ou sintomática. Em média, 80% das pessoas que se infectam não conseguem eliminar o vírus, evoluindo para formas crônicas. Os restantes 20% conseguem eliminá-lo dentro de um período de seis meses do início da infecção.
O período de incubação, intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro suscetível a um agente biológico e o início dos sinais e sintomas clínicos da doença neste hospedeiro, varia de 15 a 150 dias.

Hepatite B crônica

Quando a reação inflamatória do fígado nos casos agudos sintomáticos ou assintomáticos persiste por mais de seis meses, considera-se que a infecção está evoluindo para a forma crônica.
Os sintomas, quando presentes, são inespecíficos, predominando fadiga, mal-estar geral e sintomas digestivos. Somente 20 a 40% dos casos têm história prévia de hepatite aguda sintomática. Em uma parcela dos casos crônicos, após anos de evolução, pode aparecer cirrose, com surgimento de icterícia, edema, ascite, varizes de esôfago e alterações hematológicas. A hepatite B crônica pode também evoluir para hepatocarcinoma sem passar pelo estágio de cirrose.