Informação sobre hepatite, causas, sintomas e tratamento da hepatite A, hepatite B, hepatite C, hepatite D e hepatite E, hepatite aguda e crônica.


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Conhecendo a hepatite viral

A hepatite viral é uma infeção do fígado causada por um de vários vírus. Os tipos mais comuns de hepatite viral são a hepatite A, hepatite B, e hepatite C. Embora todos os três tipos de hepatite possam causar sintomas semelhantes, cada vírus é disseminado de diferentes maneiras. 

Como se transmite a hepatite viral? 

• Hepatite A é geralmente transmitida quando uma pessoa ingere matéria fecal, mesmo que em quantidades microscópicas, de uma pessoa infetada. Durante as relações sexuais, a hepatite A pode ser transmitida através do contato oral/anal direto ou contato com os dedos ou objetos que estiveram perto do ânus de uma pessoa infetada. A hepatite A também pode ser transmitida através de alimentos ou água contaminados, ocorrendo mais frequentemente em países onde a hepatite A é comum. 
• Hepatite B é transmitida quando os fluidos corporais, tais como sêmen ou sangue de uma pessoa infetada com o vírus da Hepatite B entra no corpo de alguém que não está infetado. O vírus da hepatite B é 50 a 100 vezes mais infeccioso do que o HIV e é facilmente transmitido durante a atividade sexual. A hepatite B também pode ser transmitida através de compartilhamento de agulhas, seringas ou outros equipamentos usados para injetar drogas. 
• A hepatite C é transmitida através do contato com o sangue de uma pessoa infetada, principalmente por meio de compartilhamento de agulhas, seringas ou outros equipamentos de drogas injetáveis. A hepatite C também pode ser transmitida quando tatuagens e piercings são efetuados em ambientes informais ou com instrumentos não esterilizados. Apesar de incomum, a hepatite C também pode ser transmitida através do contato sexual. Ter uma doença sexualmente transmissível como o HIV, sexo com múltiplos parceiros, ou sexo violento, parece aumentar o risco de uma pessoa em contrair a hepatite C.

Diagnóstico diferencial das hepatites virais

As hepatites se confundem com uma série de patologias que apresentam manifestações clínicas semelhantes, sejam infecciosas ou não. O perfil epidemiológico da macrorregião e a sazonalidade devem orientar na suspeita do diagnóstico. No período prodrômico, os principais diagnósticos diferenciais são:
  • Mononucleose infecciosa (Epstein-Barr);
  • Toxoplasmose;
  • Citomegalovírus;
  • Dengue;
  • Febre hemorrágica.
Nessas patologias, quando há aumento das aminotransferases, em geral, são abaixo de 500 UI.
Os principais diagnósticos diferenciais nas doenças transmissíveis são:
  • Leptospirose: as aminotransferases raramente ultrapassam 100 UI, e a hiperbilirrubinemia decorre do aumento da fração direta. Avaliação epidemiológica (antecedentes de exposição);
  • Malária grave: aminotransferases em geral não excedem 200 UI, a icterícia é discreta e há em geral predomínio de bilirrubina indireta. Avaliação de exposição;
  • Febre Amarela: a forma grave é acompanhada de icterícia, além de sangramento e aminotransferases altas;
  • Ricketisiose;
  • Sífilis secundária;
  • Brucelose e outras.
Outros diagnósticos diferenciais das hepatites nas doenças não-transmissíveis:
  • Hepatite aguda por substâncias tóxicas (álcool, solventes químicos, etc.);
  • Hepatite medicamentosa (paracetamol, rifampicina, isoniazida, etc.);
  • Icterícias hemolíticas (anemia falciforme, talassemia, anemia esferocítica constitucional – em todas ocorre predomínio de bilirrubina indireta);
  • Colestase reacional;
  • Síndrome de Gilbert;
  • Septicemia.
Nos casos de hepatite aguda deve-se avaliar faixa etária, história pregressa de outros quadros similares, fatores de risco como exposição domiciliar, prática sexual e uso de drogas injetáveis ou inaladas, para auxiliar na suspeita diagnóstica e na solicitação de exames laboratoriais.

Hepatites virais

As Hepatites Virais têm grande importância na saúde pública brasileira considerando-se o número de indivíduos  atingidos e a possibilidade de complicações das formas agudas e crônicas. Sua distribuição é universal, mas há grande variação regional na prevalência de cada hepatite.
A Hepatite A  é de transmissão fecal-oral, por contato inter-humano, por meio de água e alimentos contaminados e objetos inanimados, assim, sua disseminação está relacionada com a infra-estrutura de saneamento básico e a aspectos ligados às condições de higiene pessoal. Geralmente a doença é autolimitada, não havendo descrição de cronificação e a hepatite fulminante é complicação rara, ocorrendo em menos de 1% dos casos.  
A infecção pelo vírus da Hepatite B é transmitida por via parenteral e, sobretudo, por via sexual (DST), apresentando cronificação em 5 a 10% dos casos em adultos. Nos casos de transmissão vertical, porém, pode ocorrer cronificação em 70 a 90% das crianças quando a mãe está com o vírus replicante (HBeAg reagente) e 10 a 40% quando não está replicante (AntiHBe reagente). Os indivíduos com infecção crônica são o principal reservatório viral, sendo a fonte de infecção para as outras pessoas, além de apresentar risco de doença  hepática avançada (cirrose, carcinoma hepatocelular) após um período variável de tempo (cerca de 10 a 30 anos). 
Quanto à  Hepatite C, sua transmissão ocorre principalmente por via parenteral, sendo a via sexual possível,  mas pouco frequente (menos de 5% em parceiros estáveis); porém, a coexistência de outras DST, carga viral alta, exposição sexual com múltiplos parceiros sem preservativos, constitui-se um facilitador desta transmissão. Em até 40% dos casos não é possível identificar a via da infecção. A média de infecção entre crianças nascidas de mães HCV positivas é de aproximadamente 6%, sendo que mães com elevada carga viral ou co-infectadas pelo HIV tem maior probabilidade de transmissão vertical. Cerca de 70 a 85% dos casos infectados evoluem para cronificação e 20% desses poderão evoluir para cirrose, em média, após um período de 20 a 30 anos, sendo que esta evolução pode ser acelerada quando associado a alguns fatores de risco, como coinfecção HBV e/ou HIV e ingestão de álcool. Os pacientes com cirrose apresentam um risco de desenvolvimento de carcinoma hepatocelular de 1 a 4% ao ano.
A Hepatite D tem transmissão semelhante à Hepatite B, sendo que o vírus depende do HBsAg para se replicar. É a principal causa de cirrose em áreas endêmicas, porém no Brasil só há descrição na região amazônica ocidental. É considerada co-infecção quando um indivíduo susceptível se infecta simultaneamente pelo HBV e HDV, enquanto é chamada  de superinfecção aquela em que a infecção pelo vírus D ocorre em um portador crônico do HBV. O prognóstico revela-se bem diferente, na superinfecção o índice de cronicidade para o HDV é significativamente maior (~80%) que na co-infecção (3%). 
O vírus da Hepatite E é de transmissão fecal-oral e não apresenta cronificação, porém pode ter formas agudas graves, principalmente em gestantes. 
O tratamento das hepatites B e C é prolongado, sendo feito com imunoestimulantes (interferon) e antivirais.
O objetivo do tratamento é a eliminação do vírus, de modo a reduzir a evolução para cirrose e carcinoma hepatocelular e a redução da transmissão viral. A indicação do tratamento depende da função do fígado, do grau de fibrose hepática e da carga viral, além de outros critérios (coinfecção com HIV, por exemplo). Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de sucesso terapêutico.